"Um amigo me disse, certa vez, que o maior erro que podemos cometer é acharmos que estamos vivos quando, na verdade, estamos dormindo na sala de espera da vida."

domingo, 27 de março de 2011

Dois Navegantes - Ave Sangria



Aqui estamos juntos
Ao por-do-sol
Dois navegantes
No mesmo barco
Aqui estamos sós
Ao por-do-sol
Andando lado a lado
No mesmo mar
Não deixes a vela apagar
Nem o mastro cair
Nem a corda prender
Só deixes o vento que solta
Teus cabelos
Espelhos dos meus
Te soprar
E soprar em mim
Pra depois
Deslisar em ti
Deslisar em mim

quinta-feira, 24 de março de 2011

O Homem é o Remorso do Mundo

"(...) Quando os instrumentos estão quebrados, fora de uso, os planos frustrados, os esforços inúteis, o mundo aparece com um frescor infantil e terrível, sem pontos de apoios, sem caminhos. Ele tem aí o máximo de realidade porque é esmagador para o homem, e, como a ação de qualquer modo generaliza, a derrota confere às coisas sua realidade individual. Mas, por uma inversão prevista, o fracasso considerado como fim derradeiro é ao mesmo tempo contestação e apropriação desse universo. Contestação porque o homem vale mais do que aquilo que o esmaga; ele não contesta mais as coisas em seu ‘pouco de realidade’, com o engenheiro ou o capitão, mas, ao contrário, em seu excesso de realidade, exatamente por sua condição de vencido; o homem é o remorso do mundo. Apropriação, porque o mundo, deixando de ser instrumento de êxito, torna-se instrumento de fracasso. Ei-lo percorrido por uma obscura finalidade; o mundo passa a servir por seu coeficiente de adversidade: tanto mais humano quando mais hostil ao homem."

quarta-feira, 16 de março de 2011

C A O S

O Caos nunca morreu. Bloco intacto e primordial, único monstro digno de adoração, inerte e espontâneo, mais ultravioleta do que qualquer mitologia (como as sombras anteriores à Babilônia), a original e indiferenciada unidade-do-ser ainda resplandece, impertubável como as flâmulas negras frenéticas e perpetuamente embriagadas dos Assassinos.
O caos é anterior a todos os princípios de ordem e entropia, não é nem um deus nem uma larva, seus desejos primais englobam e definem toda a coreografia possível, todos éteres e flogísticos sem sentido algum: suas máscaras, como nuvens, são cristalizações da sua própria ausência de rosto.
Tudo na Natureza, inclusive a consciência, é perfeitamente real: não há absolutamente nada com o que se preocupar, As correntes da Lei não foram apenas quebradas, elas nunca existiram. Demônios nunca vigiaram as estrelas, o Império nunca começou, Eros nunca deixou a barba crescer.
Não. Ouça, foi isso que aconteceu: eles mentiram, venderam-lhe idéias de bem e mal, infundiram-lhe a desconfiança de seu próprio corpo e a vergonha pela sua condição de profeta do caos, inventaram palavras de nojo para seu amor molecular, hipnotizaram-no com a falta de atenção, entediaram-no com a civilização e todas as suas emoções mesquinhas.
Não há transformação, revolução, luta, caminho. Você já é o monarca de sua própria pele - sua liberdade inviolável espera ser completa apenas pelo amor de outros monarcas: uma política de sonho, urgente como o azul do céu.
Para lograr mão de todos os acertos e hesitações ilusórias da história, é preciso evocar uma economia  de uma Idade da Pedra lendária - xamãs e não padres, bardos e não senhores, caçadores e não policiais, coletores paleoliticamente preguiçosos, gentis como sangue, que ficam nús para simbolizar algo ou se pintam como pássaros, equilibrados a onda da presença explícita, o agora sempre atemporal.
Agentes do caos lançam olhares ardentes a qualquer coisa ou pessoa capaz de suportar ser testemunha de sua condição, sua febre por lux et voluptas. Estou desperto apenas no que amo e desejo até o limite do terror  - todo o resto é apenas mobília coberta, anestesia diária, merda para cérebros, tédio sub-réptil de regimes totalitários, censura banal e dor desnecessária.
Avatares do Caos como espiões sabotadores, criminosos do amor louco, nem generosos nem egoístas, acessíveis como crianças, semelhantes a bárbaros, perseguidos por obsessões, desempregados, sexualmente perturbados, anjos terríveis, espelhos para a contemplação, olhos que lembram flores, piratas de todos os signos e sentidos.
Aqui estamos, engatinhando pelas frestas entre as paredes da Igreja, do Estado, da Escola e da Empresa, todos os monolitos paranóicos. Arrancados da tribo pela nostalgia selvagem, escavamos em busca de mundos perdidos, bombas imaginárias.
A última proeza possível é aquela que define a própria percepção, um invisível cordão de ouro que nos conecta: dança ilegal pelos corredores do tribunal. Se eu fosse beijar você aqui, chamariam isso de um ato de terrorismo - então vamos levar nossos revólveres para a cama e acordar a cidade à meia-noite como bandidos bêbados celebrando a mensagem do sabor e do caos com um tiroteio.

terça-feira, 15 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

A Loucura Torna a Vida Suportável

"Suponho que alguém olhe lá de cima a vida do homem, como o Júpiter dos poetas o faz por vezes, e observe a quantidade de males que o acabrunham., seu nascimento humilhante, sua educação difícil, os perigos de sua infância,  os duros trabalhos impostos em sua juventude, sua penosa velhice,  a dura necessidade de morte, após tantas doenças, problemas que o assaltam de todos os lados, que envenenam sua vida inteira. Sem falar dos males que o homem causa ao homem: ele destrói, prende, desonra, tortura, prega peças, trai. Enumerar tudo, com ultrajes, os processos, as trapaças, seria como contar grãos de areia.
Não saberia dizer que malefícios trouxeram tal sorte ao homem, nem que Deus irritado os condenou a nascer nessa miséria.Quem quiser analisar a fundo essa condição, haverá de aprovar o exemplo das jovens de Mileto e seu suicídio, embora digno de compaixão. Quais foram aqueles que se suicidaram motivados pelo desgosto da vida? Os amigos mais próximos da sabedoria. Para não falar de Diógenes, Xenócrates, Catão, Cássio, Bruto, lembro de Quirão que preferiu a morte no momento que podia conseguir a imortalidade. Acredito que pressentis muito bem o que haveria de acontecer, se por toda parte os homens fossem sábios. Seria necessário que outro Prometeu petrificasse outra argila. De minha parte, bem pelo contrário auxiliada pela Ignorância e pela Irreflexão, levo os homens a esquecer sua miséria, esperar a felicidade, a provar de vez em quando o mel dos prazeres, mesmo quando as Parcas teceram toda a sua trama e que a própria vida os abandona.
A vida não os aborrece de modo algum. Quanto menos motivos tem pra viver, mais se agarram à vida. São meus adeptos esses velhos que atingiram a idade de Nestor e que perderam quase toda a forma humana, que são bistos balbuciando, falando disparates, com dentes partidos, de cabelos brancos ou calvos ou, para descrevê-los melhor, com as palavras de Aristófanes, sujos, corcundas, calvos e desdentados, sem queixo, mas agarrando-se ainda com gosto à vida. Por isso procuram rejuvenescer-se, um tingindo os cabelos, outro usando peruca, este colocando dentes falsos e fazendo com ela mais loucuras que um jovem em pleno vigor. Aquele moribundo, prestes a pôr o pé no túmulo, casa sem dote com um broto que vai fazer a alegria dos vizinho; esses casos são freqüentes e, juro, ainda são motivo de elogio.
Mais encantador ainda é ver velhas, tão velhas e cadavéricas que aparecem ter voltado do inferno, repetir sem cessar: "A vida é bela!" São quentes como cadelas no cio ou, como dizem despudoradamente os gregos, pressentem o cheiro de bode, Seduzem a preço de ouro qualquer jovem Faon, se maquiam com esmero, estãoi sempre de espelho na mão, depilam-se no lugar secreto, ostentam seios flácidos e murchos, pedem com voz trêmula a satisfação de um desejo que fenece, põem-se a beber, dançar entre as jovens, a escrever cartas amorosas, Todos se riem delas dizem realmente o que elas são, superloucas. Esperando uma oportunidade, elas estão contentes consigo mesmas, se satisfazem com mil prazeres, aproveitam todas as delícias e, para mim, elas são felizes.
Peço que todos aqueles que as acham ridículas analisem se não é melhor desfrutar dessa doce loucura do que procurar, como se diz, uma árvore para se enforcar. Certamente, a desonra não se atribui à conduta de meus loucos nada significa para eles,  sequer se mantém atingidos ou não dão atenção nenhuma. Levar uma pedrada na cabeça é um mal que existe; a vergonha, a infâmia, , o opróbio, o insulto são males a partir do momento em que os sentimos. Não há mal algum quando nada se sente. Todo mundo te vaia; não é nada, se tu te aplaude e somente a Loucura te leva a isso."

Angra dos Reis - Legião Urbana



deixa... pra lá

O Sol e a Lua

na idade média, existiram um padre e uma freira que se amavam intensamente, todavia os valores morais e os dogmas de suas posições sociais, na época, faziam com que ambos escondessem o que sentiam um pelo outro e  nunca tiveram a oportunidade de ficar juntos como amantes, foi então que eles começaram a se ver como o Sol e a Lua, ou o dia e a noite... que são amantes eternos e um sempre precisa do outro (assim como a escuridão sempre vai precisar da luminosidade e vice-versa), no entanto nunca poderiam se tocar, pois estão sempre em lados opostos da mesma moeda, quando começa o dia acaba a noite, assim como quando o Sol está para se por a Lua vai invadindo o seu espaço no céu, mas nunca se encontram, nunca se tocam, sempre em lados opostos

Mi and L'au - Bingo




doce gotejo de lembranças...

Monólogo de Duas Pessoas


Eu e Você (sem dizer nada... mas entendemos tudo)
s2 Amuh!

Condicional - Los Hermanos



o que me importa são as lembranças que ficaram =/

Parcela de minha Pessoa

Através dos pesares
se escondem lâminas do passado
a madeira das paredes
em meu pequeno universo sensível

A rua continua a mesma
alguns domingos cheiram peixe
consciência que goteja lembranças
é apenas o presente que insiste andar de costas

Através dos pesares
não transmutaria nenhuma tolice
minha cor sempre será o verde
só não devia fingir ser um rato